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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Esse mundo que não é meu...

Eu nem sei por onde começar, mas em algum momento dos últimos 16 meses eu estava lá prestes a fazer voltas por entre as prateleiras até que fui arrebatada por um tigre branco na capa de um livro, me chamando me pedindo para ser levado. Depois dele vieram outros, exatamente na mesma proporção de intensidade, um após o outro, quatro livros de uma série que me deixou com uma profunda vontade de sair pelo mundo viajando e tentando entender por que uma garota precisava ficar dividida entre dois amores, e porque os livros chegavam ao fim.
Algumas semanas depois de ter começado a assimilar que minha vida não poderia ser um livro, me deparei com a imensa curiosidade de ler um livro antes de conhecer seu filme, e lá fui eu passear entre prateleiras, e comprar o primeiro volume de uma série de nome suspeito, novamente me vi envolta em um universo totalmente superior, fora do meu alcance, onde só meus devaneios e sonhos poderiam me levar, lá estava eu comprando o segundo, o terceiro, o quarto, e o quinto livro devorando um após o outro até ficar na expectativa de um sexto e último livro que ainda nem havia sido terminado. Esperando por um desfecho por muitas explicações, por um motivo para confiar em todos os caminhos, tomados por impulsividade, e todos os acontecimentos que levaram tanto os personagens como eu até aquele ponto especifico. Era isso, 12 meses haviam passado depressa de mais para que eu percebesse que ao longo das decisões, medos, e dúvidas que cada um dos meus personagens enfrentou eu também tomei minhas próprias decisões e estive a prova tantas e tantas vezes, talvez sem tantas feridas expostas, sem tanto sangue real vertendo, mas com tanta dor quanto. 

Era hora de recomeçar e que tal rever uma lista de livros, sem séries que poderiam fazer de minha vida mais simples, ou mais normal, nada disso...  Quando percebi que na leitura simples de um livro único eu era mais a personagem do que qualquer outra, que eu não só me encontrei vendo ela como também senti como ela, e torci novamente por alguém que só existe naquele universo totalmente alheio ao meu, como podia alguém ter escrito um livro onde vidas passam por dilemas tão iguais a minha própria vida?! Eu "engoli" literalmente o Lado bom do livro, e vi que era tão Tiffany quanto sou Alice, ou Kells, ou Izzy, ou Clare. E aí achei que precisava saber o fim do filme que me ganhou nas telonas, antes de ele ser lançado em duas partes, como tem sido tão comum. Comprei de novo, compulsivamente mais 3 livros, uma trilogia e lá vamos nós. entre o primeiro livro onde só absorvi tudo que o filme não me mostrou, e o segundo onde me prendi para chegar logo ao terceiro, eu passei por um tempo que para mim parece ter acontecido a séculos, mas que foi logo ali, há 14 anos atrás, me vi uma menina cheia de amigos, cheia de sonhos, buscando respostas. Fiquei esperando pela mais importante ao fim do livro e agora tem mais uma sequencia na minha lista de espera, voltei para o caminho da trilogia que concluiu meu sofrer, terminei a segunda parte queimando como brasa, o peito em fogo desejando o fim, e em poucos minutos tudo terá um fim. 
Li cheia de esperanças, e isso não é um trocadilho, isso é um sentimento, que me arrebentou, me quebrou, me mostrou que a decisão não é e nunca foi minha ou do personagem, é do autor por trás da história, em algum momento nesses últimos dias, eu me dei conta que não queria o fim esperado, pois precisava da segurança de imaginar um futuro melhor, e quando ela Katniss Everdeen entende a suas escolhas, eu me deparei com as lágrimas desconsoladas da verdade que foi cada palavra que li, na página 417 logo nas primeiras linhas começa a descrição de toda e qualquer decisão que norteou minha vida nos últimos 5 anos. e se agora eu aqui não reconhecesse aquele momento como MEU estaria fechando os olhos para tudo que estou sentindo agora, e tudo que vi pulsar em meu coração durante tanto tempo.

Imagino se sou completamente louca, a ponto de não saber distinguir o verdadeiro do falso, mas eu estou aqui, sentindo agora, entendendo agora mais do que nunca, que esse mundo que não é meu, me transporta para tão longe do real, que no fim das contas é exatamente como Eu, alheia a todo o resto, focada nas minhas próprias batalhas internas. É por isso que os livros, me sequestram, me fazem passar noites sem dormir, me deixam sem folego,  me prendem tão firme, porque neles eu fico mais perto do que realmente eu sou.

Pricila Fontoura 


PS:Terminei de ler A Esperança e amanhã posto sobre ele por hora, vou me enterrar em minha depressão pós livro.

2 comentários:

  1. Oi, adorei a forma como vc descreve a emoção de se ler um bom livro e se torna parte dele, querer viver por ele.
    Virei sua fã, se puder de uma passadinha no meu espaço.
    http://gracirocha.blogspot.com.br/

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  2. Nossa *-* Ler é vida , da sonhos , muitas pessoas acham que são apenas " papel " Mas para nós é como se fossemos aquele personagem enfrentando os problemas da vida , não consigo imaginar minha vida sem livros , sem imaginação , com certeza quando eu tiver minha casa a biblioteca será meu refugio dos problemas. Adorei oque vc escreveu ;D

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